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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Mais Uma estrela no ceu

Todos os dias, quando chego a casa dos meus pais, olho para a sua casa, que já há tanto tempo deixou de ser sua.
Olho e procura o fumo a sair pela chaminé..., quando finalmente relembro que já não mora ali, você foi para outra casa, para poderem tratar de si com todo carinho que merece.
Mesmo sabendo que era bem tratada, morria de saudades de poder chegar ao trabalho ou a casa dos meus pais e ouvi-la a chamar por nós ou então num dia de sol, passar por sua casa e vê-la sentada a porta ou até ouvi-la a chamar pelo avô, na hora de almoço, gritava por ele, o que me ria quando os ouvia:
oh zé, zéÉÉÉÉ!!!  e ele simplesmente assobiava e você sabia que logo chegaria para comer.
Quando o Tio, a Tia e o avô, partiram, você tinha mais força que todos nós e somos uma família e tanto, você não queria que chorasse-mos e todos, sabíamos onde ir depois de cada funeral, direcção a sua casa, onde todos recordávamos os bons momentos, onde todos bebíamos um Porto ou um "wika" com cola, onde os sorrisos a pouco e pouco brotavam nos nossos lábios.
A sua força, a sua vitalidade, era contagiante, adorava ouvi-la falar, era umas "caravalhadas" umas a seguir aos outros, punham em sentido qualquer um! Vaidosa que só a avó, sempre que apanha-se alguém a jeito, pedia para voltar a pintar as unhas.
Você era o pilar desta, da nossa família, mesmo com as desavenças, você nunca deixou de dizer o que pensava.
Todos nós sabemos que os tempos, "do antigamente", não deviam ser fáceis e que você muito deve ter sofrido, nasceu nos anos 20, onde a mulher ainda não tinha quaisquer direitos, mas você conquistou os seus direitos, você faziam frente até ao avô!

Ontem, o dia em que lhe prestamos o nosso ultima adeus, em conversa com primos e tios, vi que tanto a avó como o avô estão em nós, a nossa família é apelidada de Carolinos, pois percebi
que isso não é só um apelido, é algo mais, uma célula que está no sangue, que nos define. 
Todos nós, somos teimosos e casmurros, mas também herdamos a vossa força, a vossa vitalidade, a vossa vontade de viver.
Todos sabíamos, o que deveríamos ter feito, o certo era irmos todos para sua casa, acender a lareira, ver o fuma a sair da chaminé, beber e brindar a você, infelizmente por força da vida, por força de sermos Carolinos, cada qual bebeu em suas casa, pela avó!
Eu tenho saudades de a ouvir falar, de mostrar que apesar da idade ainda conseguia ginásticar, saudades de trocar os nomes aos meus Pimpolhos, deles quererem ir para o seu colo e rirem-se quando você falava.
Eu poderia continuar a escrever o quanto você faz falta e ainda muito poucos dias passaram desde a sua partida, que todos queremos o seu colo, o seu sorriso...
Você viveu e construiu uma linda família, agora somos nós que temos de fazer jus ao seu nome, Ti Maria da Luz e relembro com ternura, pois contava demasiada vezes, que o seu pai, o meu Bisavô, tinha ido muito cedo, sei que agora, a avó está junto dele, dos seus filhos e do avô.
Se puder Vó, olha por nós,
Obrigado por fazer parte de nós, 
Je t'aime... até um dia









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